DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Escrito em:8/2/2009 Surpresa!!!!!! Caminho descalço por onde andam as baratas, ando com elas. Seguimos juntos até o esgoto, elas estão mais limpas que eu. Sempre convivi com baratas, dividindo pratos vazios, armários e despensas. Fizemos amizade quando não havia mais ninguém a compartilhar tal solidão. Simplesmente apareciam de surpresa, entre frestas e ralos. Cuidei quando nasceram branquinhas e pequenas. Várias delas, muitas, por todos os lados. Na geladeira apenas água e alguns ovos. As baratas moravam bem debaixo do meu fogão. Lá era quente e propício para orgias. Logo se multiplicavam por toda casa, quartos, banheiros, televisão. O pequeno gato que ronronava tranqüilo tinha preguiça de persegui-las. A gente se dava bem. Éramos um grupo coeso, compatível, harmônico. Dividimos doces e restos de comida, quando havia. Dividimos noites em claro zanzando de cômodo em cômodo. Se eu chegasse bêbado e caísse no chão, elas velavam meu sono. Respeitavam meu território, pois sempre respeitei seus abrigos. Nunca tentei contra a vida de nenhuma delas enquanto estivemos juntos. Sem spray, nem chinelada, bons amigos. Caminho descalço. Por onde andam as baratas? É a imprevisibilidade sua maior virtude. Aparecem e desaparecem, sem medo da morte. Não sentem nojo de mim.   Tico Sta Cruz

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