DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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quinta-feira, 4 de março de 2010

AMOR



















Ideia fixa é um saco. Virou, mexeu e lá está o pensamento, na mesma de sempre. As pessoas pensam muito em amor, eu acho. Romance, sexo, as delícias da paixão, o frisson do sentir-se amado, amado pelo ser que se ama. Li em certa ocasião, num desses tantos livros, companheiros eficientes na arte de domar as ideias, uma coisa curiosa. A autora contava que, em certa data esteve no Vietnam, e em suas pesquisas, conversara com um renomado psicólogo que tratou muitas pessoas que estiveram na guerra e vivenciaram aquela bárbarie de perto. Ele conta que, na andamento das sessões com esse pacientes vítimas da guerra, ele esperava que fosse ouvir relatos de horror, de trauma, de medo. Mas, não. Via de regra, a maioria daquelas pessoas queria falar sobre o quê?... AMOR em todas as suas variáveis. Amor de pais, filhos, amigos, sensações de rejeição, desprezo, baixa auto-estima advindas de relações que não acabaram bem, e de saudades, e de não superação de amores perdidos. Era disso que eles queriam falar, sobre oque carregavam no coração, no interior, naquele lugar santo que guerra alguma consegue alcançar, os domínios do Amor. O querido e sempre atual Freud dizia que, para um ser humano ter uma vida razoavelmente equilibrada, precisava amar e trabalhar. Trabalhar, para ter auto-estima e provocar admiração e consequentemente amor, e amar, na reciprocidade. Ele disse isso em " OMal Estar da Civilização", uma das suas últimas obras. Tudo gira em torno da emoção que conseguimos arrancar do outro, surrupiar, absorver, engolir rapidamente antes que acabe, por que acaba, e a gente, pobres de nós, queremos mais, mais, sempre mais, porque é a nossa fome. Sim, existe a fome física e o absurdo de ainda existirem pessoas sem condições humanas dignas, mas mesmo nessas criaturas de Deus, famintas de pão, existe no olhar fundo, uma urgência de algo maior ainda, aquele algo que nos torna de fato humanos, o calor humano, o bem querer. Amor de pai, Amor de mãe, Amor de amigos, Amor de Amor, Amor de desejo, Amor de paixão. Com que você sonha quando fecha os olhos?...será com um apartamento novo, ou um super carro, uma viagem, ou um trabalho legal, condições melhores na sua vida, com que mais você sonha?...não tem sempre ali do ladinho do seu sonho, espiandinho sorrateiro, o amor da sua vida como base de tudo?...Pra que serve tudo que o dinheiro pode comprar sem o amor de todas as formas que sonhamos estar perto? Sem amigos, sem a família, sem o ser amado?... Pois é, sonhos de amor. Hoje é sábado, está de noite, e não tenho vontade nenhuma de fazer coisa qualquer. O que me me vem à cabeça é esse meu sonho de viver dentro de uma garrafa mágica, como a da Jeannie é um gênio, com o amor da minha vida que, infelizmente, creio que ainda não conheço, e viver lá, dias e noites pra todo sempre, até morrer de tanto Amor. Ideia fixa é mesmo um saco. Como é que vou realizar uma amor assim? Ensandeci.

Be Lins

http://umaestrelanamao.blogspot.com/

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