DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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domingo, 14 de março de 2010

As melhores lembranças


São coisas que não se esquece.

Hoje é um dia de lembranças. Quando chegava o dia trinta de Dezembro, vó Ju chamava todos os netos para contar moedas. É que ao longo de todo ano, ela guardava em uma lata, moedas e trocos para, no dia trinta, contarmos e sairmos para comprar fogos de artifício. Vovó era fogueteira. Ela comprava bombinhas pra gente, foguetes para vovô e baterias de fogos para ela armar junto com tio Renato, que era outro fogueteiro. E assim íamos, juntando fogos, gostosuras e um bem querer imenso para receber o novo ano que chegava. Depois da virada, havia algo que os antigos nos ensinaram e fazíamos igual. Pedir "bons anos". Era demais, esperávamos o Ano Novo quase que com a mesma euforia que o Natal, e os adultos, sempre generosos, tinham muitas moedas à nossa espera quando gritávamos "Bonzano!". Vó Ju, era filha da nona Luiza, que teve oito filhas. Isso mesmo, oito. Era uma tribo de mulheres, e como sempre ocorre quando junta-se muitas mulheres, haviam os rituais. Nona Julia dizia que na véspera de um novo ano, é sempre probido chorar, dizia que o dia 31 era dia de se fazer "ação de Graças". Então, ela e suas oito meninas, saiam de manhã, vestidas de branco com flores nos cabelos, levando com elas pacotinhos de doces que elas mesmas faziam, para oferecer às pessoas das redondezas como agradecimento por toda a companhia e acolhida que tiveram ao longo do ano. Eram geléias, bolachinhas, pão de mel, cocadinhas, tudo que elas mesmas faziam, já após o Natal, com imenso prazer. Depois, quando à todos já tinham agradecido, seguiam até o riozinho que tinha ali perto, para tomar banho de descarrego, deixando nas águas correntes do rio, as tristezas , as dores e tudo que não fora bom, e limpando-se para a chegada do ano bom. O nono, marido da Nona Julia, era também gaiteiro. Então, no galpão da casa deles era a festa. Animados pelos acordes do Nono, todos dançavam porquê acreditavam na força que tem um corpo em expressão. Gente doida. Adoráveis demais. O tempo vai passando, alguns costumes modificam-se, mas continuamos unidos e com esses preceitos de gratidão e plantio de energias boas arraigados em nós. Hoje mesmo, nos encontramos todos. Os que estão por aqui ainda, na terra. Os descendentes . Combinamos sobre os fogos, as comidas, as músicas. Fizemos doces que iremos oferecer aos nossos mais próximos amanhã. Lavaremos nossas feridas nas águas do chuveiro, mas as orações e as pétalas de rosas brancas serão as mesmas. E à noite, quando o Ano Novo chegar, estaremos abraçados, unidos em coração com todos os que amamos e em corrente com toda a gente que como a gente, só quer um novo ano abençoado, cheio de paz, saúde e Amor.

Uma linda noite de chegada para todos!

Be Lins

http://umaestrelanamao.blogspot.com/


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