DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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sábado, 27 de março de 2010

CASTELO DO NUNCA















Já experimentei tantas vezes essa sensação enganadora de moça boba: a impressão de iminência. É uma sensação de que algo vai acontecer no próximo minuto. Então, os olhos ficam inquietos e os outros sentidos todos atentos, à postos, a atenção multiplicada em milhares de antenas que sentem ao longe uma estática estranha, que atrapalha a percepção, e ilude ainda mais, porque confunde, e no poder ou no privilégio da dúvida, do "será?", a expectativa sente-se em casa e relaxa. Eu não. Tive um dia maluco. Muitas pessoas, muitas conversas, muito trabalho, muitas risadas, muitas conquistas, muitas palavras, muito carinho, muita vida, e ainda assim... sinto um vazio. Um vazio que não me larga, e que é espaçoso, e barulhento e espinhoso, e impaciente e faz a boca do meu estômago ficar apertada, e minhas costas contraídas e minha vaidade impiedosa, me cobrando o que posso fazer para melhorar, para aproximar, para acontecer, para vislumbrar, uma brechinha que fosse, desse algo que anseio e já nem sei mais o que é de verdade, e se quero tanto assim. Sei que nada de especial vai acontecer. O especial da minha vida já está todo nas minhas mãos. Tenho tudo e mais um pouco do que preciso, não há razão para esperas. A ânsia que insiste, é o meu lado insano, que deseja abraçar a insanidade de crenças que não são pra se alcançar, são apenas, e tão somente, vontades e desejos e delírios que devem residir onde já residem, no CASTELO DO NUNCA.

[Aí, minha lembrança traz sorrateira que só, uma frase interessante à mente: "nunca é uma palavra pra não se dizer NUNCA.]

E assim, a gente vai levando.



Be Lins


http://umaestrelanamao.blogspot.com/

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