DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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sábado, 6 de março de 2010

DELICADEZAS















Gosto muito de esconderijos. Desde criança. Minha brincadeira preferida sempre foi esconde-esconde. Certas vezes, me escondia tão bem que passava a brincadeira toda escondida, esquecia de sair, ficava olhando tudo acontecer dali, daquele lugarzinho que descobrira e que por aqueles instantes, era só meu. Quando ficava triste, me enfiava dentro do guarda-roupa. Embrulhava-me nos meus trapos, vestidos, panos, e por vezes lá dormia. Na minha imaginação, não era só um guarda-roupa, era um mundinho que eu amava, e criava a minha maneira. Não raro, parava embaixo da casa, em cima da árvore, até no telhado já fui parar. Mas, havia uma brincadeira especial. Brincar de cabana. O supra-sumo das brincadeiras. Não era sempre que minha mãe permitia, mas se ela desse uma brecha, lá estávamos nós com todas as colchas e mantas e lençóis montando o nosso mundinho. Era, sem dúvida nenhuma, o melhor lugar do mundo para se estar. No inverno, em tempos de chuva e férias de inverno, era o meu mundo, noite e dia. Papai chegava e perguntava à minha mãe, _ cadê a Bezinha? Minha mãe ria, apontava para aquela montanha de panos, e aí ele colocava o nariz ali dentro e dizia, _ só mais um dia, hein? Boas lembranças, deliciosas lembranças que vieram através de palavras trocadas com alguém que como eu, adora cabaninhas. Se um dia nos for permitido, combinamos fazer uma para nós dois. Com direito à alguns detalhes extras, que não haviam nos tempos de crianças. Pensamos, juntos os dois bobos, em velas perfumadas brilhando dentro de um candeeiro, luzinhas que piscam em cores, almofadas macias aos montes, uma musiquinha boa que não pára nunca, umas frutas frescas, sugestivas, uma bebidinha que faça a leveza nunca partir, e nós dois, lá dentro da cabaninha, deixando o mundo pra fora, numa brincadeira sem fim.

PAUSA

[o telefone faz sinal de mensagem. Abro e leio. Estou no meio desse delírio "tardio-adolescente" e me chegam palavras assim: "Estou indo para a cabaninha, não demora. Beijos". Respondi que já vou. E fui, afinal, além de eu adorar cabaninhas, sonhar à dois é sempre uma irresistível proposta. Boa Noite.]


Be Lins

http://umaestrelanamao.blogspot.com/

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