DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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sábado, 6 de março de 2010

OS MELHORES PRESENTES

















Um esconderijo chamado biblioteca.


O quarto ficava fechado à chave, todos os dias depois da sua caminhada matinal e no final da tarde, ele se trancava lá e saia com várias fisionomias diferentes, que nos deixava curiosos.
Aprendi a ler com seis anos mas, ninguém me deixava entrar na biblioteca, era um quarto no final do corredor. Vovô morava em um casarão enorme, podíamos circular por todos os cantos, menos no quarto dos livros. Eu morria de curiosidade, principalmente quando a porta rangia e ele ficava horas lá dentro. Eu tinha oito anos quando fui convidada a entrar em seu esconderijo.
Lá tinha uma escrivaninha grande de madeira, uma poltrona, um abajur e estantes que circundavam o quarto do teto até o chão.
Os livros enfileirados harmonicamente davam a impressão de que nasceram ali. Eu me sentei em sua poltrona de couro e ele abriu a cortina para que a luz entrasse.
Orgulhoso ele me entregou uma chave e disse:
- Agora você também pode frequentar o nosso esconderijo, essas duas prateleiras aqui têm uns livros que eu separei pra você começar sua viagem. Todas as vezes que você quiser conhecer outras histórias pode vir para cá. Puxou o livro "Reinações de Narizinho" de Monteiro Lobato, me cobriu com uma colcha de retalhos e sentando-se na cadeira ao meu lado me olhou por cima dos óculos e disse:
- Agora sim, você vai conhecer o verdadeiro País das Maravilhas!
Foi dessa forma que os livros passaram a fazer parte da minha vida.

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