DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Abraço de um Segundo Cósmico



















Eu penso tanto que até canso de pensar. Penso em muitas coisas mas o quê mais me leva a pensar são as pessoas. Penso em pessoas o tempo todo. Nas pessoas e nas suas relações com as outras pessoas, e claro, basicamente, com a minha própria pessoa. Existimos a partir do outro e isso é um bocado complicado de assimilar porquê, aparentemente, achamos que somos individuais. Perdão!, eu penso que sou individual. Mas que noção eu teria de mim mesma se não fossem as minhas relações com as pessoas? Como eu me saberia sem o outro me falar através de nossas trocas de vida? Pensando assim, e creio que porquê é Dezembro e eu estou um bocado sensível, penso que pessoas são bençãos. São estrelas guias que nos conduzem mais pra perto da gente mesmo. Para perto daquele lugar para onde devemos ir. Um lugar que suponho seja o âmago, o núcleo, o ponto de chegada ou até mesmo o ponto de partida. O PONTO. Então, todos os que passaram pela minha vida foram estrelas me conduzindo. Nem sempre parece, é verdade. Mas é meio como Judas, coitado. Alguém tinha que fazer aquele papel para a história prosseguir e as boas novas pretendidas serem anunciadas. Não houve grandeza em aceitar tal papel?... Esse ano eu me deparei com a inevitabilidade dos avessos. Das sombras. Da dualidade. Nunca havia pensado tanto sobre a importância de reconhecer o oposto. Aceitar o oposto. E dentro do pensar oposto, ir além, e conseguir vislumbrar o oposto do oposto. A infinidade das visões possíveis. Especialmente quando se trata de pessoas e relações humanas. Se tivesse que escolher algo como absoluto, uma única verdade, creio que esta seria: nada que passa por nossa vida passa por acaso ou sem intenção. Intenções apenas. Nem boas nem más, mas necessárias. São estrelas nos levando à caminho de Belém. Nem sempre é fácil amar, e amar os causadores de mágoas, de tristezas, de dores, muitas vezes parece missão impossível. Mas tentando enxergar o avesso, é possível sentir também o pensar do outro, a dor do outro e a disponibildiade do outro em fazer um papel não tão bonito, mas que nos fará chegar mais perto de onde precisamos estar. Certo, não existe uma exata consciência de que o mal causado era para o bem. É algo misterioso, um sim que dizemos em outro nível de existência, uma disponibilidade pré-assumida sabe-se lá quando e com quem mas que, funciona. A gente cresce com a dor. Logo, causadores de dor nos fazem crescer. São amigos às avessas. Um dia a gente vai entender. Mesmo assim, tenho que respirar fundo, fechar os olhos e pensar com força nas estrelas tão lindas do céu para acalmar meu coração e conseguir colocar todas, todas as pessoas que tive o privilégio, claro ou obscuro, de esbarrar com o coração em seus corações, dentro de um grande abraço. Fecho os olhos e abraço um por um, num segundo cósmico, e me sinto um pouco mais limpa. Um pouco mais curada das dores do mundo. Um pouco mais alguma coisa que não sei definir em palavras, mas que é bastante bom e curioso. É muito curioso, de verdade, pensar nas pessoas que já se foram da minha vida por causa de desafetos e olhá-las com o coração. Lembrar de seus sorrisos, de quando era bom, e de quanto devo à elas o quê eu sou e conheço de mim hoje. Minhas estrelas guias. Não sei o quê me deu de pensar assim, mas creio que tem alguma coisa a ver com essas lindas luzes de Natal.


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Be Lins 
http://umaestrelanamao.blogspot.com/

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