DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

BELO

Há uma beleza especial no vazio. Um beleza fora de padrão. Nada a ver com cores, nem flores nem coisas mimosas. Uma beleza sem forma, sem cheiro, sem o óbvio apêlo do belo. Quem já experimentou o vazio, bem no fundo do mais fundo, descobre que de fato, o vazio não existe verdadeiramente. Ele é uma nova porta. Ele é o 'a partir de'... Navegando por seus gélidos domínios, estranhamente percebe-se que os sentidos de nada servem, não há frio, nem calor, é metafísica. É viagem. É toda e nenhuma ideia ocupando o mesmo lugar no espaço. No vazio há dor. Dor de dentro. Dor que não dói. Há contradição. Há presença. Há a ausência do imediato. O que existe é a possibilidade de qualquer coisa. O vazio é uma cama de repouso em algum sanatório muito limpo onde a alma descansa. É espaço de cura, de cuidados invisíveis, é o 'se encontrar'. O vazio lembra o silêncio da neve branquinha e hipnotizadora. O vazio faz levitar, passear por lembranças remotas sem tocá-las. O vazio é amigo do verbo olhar. Como ele é amigo das estrelas, ele pode ser um balanço que permite abraçar o céu. O vazio permite. Quase tudo. O vazio sussurra, fazendo do silêncio a palavra mais eloquente do mundo. O vazio é a voz divina que nos lembra que 'somos o Tempo que nos resta'. O vazio é aconchego. O vazio é um pedaço de céu 'que não fecha nunca!'.


Be Lins


http://umaestrelanamao.blogspot.com/

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