DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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sábado, 9 de julho de 2011

das coisas tão mais lindas

Li certa vez em algum lugar que já não me lembro que as histórias de amor mais bonitas são aquelas que não duram, que acontecem de repente e são intensas e logo se esvaem feito chama que se apaga sob a força do vento, para deixar saudades e o gosto bom da coisa perfeita, definitiva na fugacidade. E eu também já pensei assim, sabe. Que nunca fui bicho afeito a compromissos e promessas e eternidades, que sempre  vi mais beleza no que vem para não ficar. Mas hoje, depois desse tempo todo de mãos dadas, eu aprendi que a vida é mais complexa do que isso, bem mais. Eu aprendi que tem tanta poesia naquilo que sobrevive, no que desafia o tempo e insiste em permanecer em um esforço de todos os dias para ser inteiro e bonito. Porque é fácil ser bonito por um dia do começo ao fim, é fácil ser bonito por algumas semanas em uma praia paradisíaca ou um cenário de filme, é fácil ser bonito sem as pequenas coisas ridículas da vida de todos os dias – qualquer um consegue perfeição assim. Mas tenho percebido isso: que mais lindeza ainda é encontrar a felicidade nas pequenas coisas imperfeitas, é ver alegria e brilho nos desencontros porque depois deles vem um renascimento, e renascer é bonito demais – a gente sempre renasce de um jeito mais fresco e mais cheio de vontade para fazer melhor do que antes, e é bom. Então eu acho que não – não são aquelas as mais bonitas, talvez até sejam as mais redondinhas e sem desbotamentos, mas uma coisa eu aprendi nesses anos todos, amar não tem nada a ver com perfeição. Tem a ver com intensidade, tem a ver com entrega e inteireza e delicadeza e mergulho e crescimento, tem a ver com muita coisa boa e que faz parte da vida com beleza e com dor como tudo o que vale a pena, mas perfeição? Não, não. Perfeição é coisa corriqueira, qualquer um pode ter se fizer de conta e tiver vocação para viver de mentirinha na superfície das coisas, mas intensidade e beleza da coisa inteira vivida sem medo e sem dar as costas a coisa alguma – isso é para poucos. E as coisas são tão mais lindas assim.


Renata Penna

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