DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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terça-feira, 19 de julho de 2011

Quintal Mágico


Jardim da Infância


Semeando a educação que queremos para os nossos filhos


Uma das melhores coisas que me aconteceram ao voltar para terra firme foi conhecer a Terezita. Educadora no sentido mais amplo da palavra,essa capixaba de cabelos brancos e princípios claros plantou em nós a semente de um novo sonho, o da educação infantil. Toda manhã, ao entrar com minha filha em sua escola, não tinha vontade de ir embora daquele quintal mágico. Os pais chegavam e ficavam, a conversa animada mostrava que o sentimento era o mesmo o privilégio de encontrar um lugar assim no meio de São Paulo. Crianças de 1 a 6 anos brincavam juntas ao ar livre, em um lugar que valoriza os sons, cheiros, gostos e bichos e acredita que o mais importante para uma criança nesse período da infância é aprender brincando.
Quando resolvemos mudar de cidade, meu coração ficou apertado em deixar essa experiência para trás. Fomos conversar com a Terezita, pedir conselhos. “Por que vocês não montam uma escola em Paraty? Eu ajudo no que precisarem”, nos disse a educadora. A idéia era boa, mas esquecemos o assunto. Mudança feita, matriculamos a pequena numa escola de espaço apertado, sem terra no chão nem verde no pátio, mas coloquei na minha cabeça que sua socialização era o mais importante no momento. Os dias passavam e achava minha filha quieta. Quando perguntava na escola sobre como havia sido seu dia, ouvia que ela já estava aprendendo a escrever seu nome. Pensei: mas ela só tem 3 anos, precisa aprender a se relacionar com os outros, e não a escrever seu nome. Foi quando a sementinha da Terezita começou a brotar. Em vez de reclamar das escolas, resolvemos montar a nossa.
“Comecem juntando um grupo de pais com os mesmos interesses”, nos orientou Ada, terapeuta familiar amiga da Terezita, que conhecemos em Paraty. “Não se preocupem com o produto final que essa rede vai gerar, vocês vão se surpreender com o poder do grupo.” Reunir pessoas que pensam parecido e que têm filhos da mesma idade me parecia possível. Em uma semana o primeiro encontro acontecia em casa. Para nossa surpresa, outro casal trilhava o mesmo caminho. Lena e Pablo queriam reproduzir a experiência inspiradora que viveram no Rio de Janeiro com a escola do filho Gabriel, que seguia a pedagogia Waldorf, que leva em conta o desenvolvimento integral das crianças, preservando a atividade criativa. Quando nos conhecemos, eles se preparavam para realizar uma colônia de férias em sua casa para mostrar aos amigos uma nova forma de lidar com os pequenos. Ao conhecerem nossa idéia de escola comunitária, os projetos se encontraram.
Catorze crianças participaram da colônia, que aproximou pais e filhos. Aprendemos a cada reunião a importância de cuidar do grupo, de respeitar e aproximar os ideais de cada um para transformá-los em um projeto comum. Já temos professora e juntos preparamos os materiais para o jardim de infância. Os pais que têm experiência com madeira preparam mesas e cadeiras, quem costura faz bonecas, quem não sabe fazer nada aprende. As crianças acompanham tudo de perto, percebendo a importância que os pais dão para a sua educação.Ainda há muito o que fazer, mas meu coração sente que estamos no caminho certo.


Matéria publicada na revista Vida Simples


Sandra Chemin, ex-publicitária, nunca pensou em montar uma escola e aprende a participar da comunidade à sua volta. www.santapaz.com


Escola Quintal Mágico - http://quintalmagico.org/



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