DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Contos Delícia!


Táxi

Estavam no banco de trás do táxi. Penny Lane estava atrás do motorista, João à sua direita.
Estavam voltando de um jantar, e João como sempre parecia interrogar o motorista. Queria saber como vivia. Quantas horas de trabalho, quantos dias. As férias.
Ele escorregou a mão esquerda para o meio das pernas de Penny Lane. Ela pareceu levar um susto. Contraiu-as. Mas depois relaxou.
Enquanto ele interrogava o motorista, acariciava Penny Lane. Ela achou que o motorista tinha notado, e estava gostando do espetáculo. João era indiferente a isso. Queria apenas entender a vida de um motorista de táxi e, ao mesmo tempo, acariciar Penny Lane.
Quando ela ficou úmida, quase inundada, ele levou os dedos à narina.
Cheirou-os como outras pessoas cheiram uma rosa.


O vôo

“Escuta. Presta atenção”, João disse para Penny Lane.
Estavam no avião. Ele escorregou  a mão direita para o meio das pernas de Penny Lane, protegidas por uma manta.  Puxou para baixo sua calcinha branca. Ela pareceu assustada por um momento, mas logo depois ergueu o corpo levemente para facilitar o trabalho dele. Com os dedos ele desceu vagarosamente do umbigo dela em direção ao matagal úmido. Mexeu nele como se o estivesse penteando. Depois encontrou o alvo e começou a fazer girar seu indicador terna e firmemente.
Ela gemia baixinho. Os olhos fechados. O livro que estava lendo, Caixa Preta, de Amos Oz, balançava delicadamente sobre a manta.
“Escuta. Presta atenção”, ele sussurrava em seu ouvido, como um instrutor íntimo. “Você não vai gozar agora. Mas essa cena, a lembrança dela, vai te trazer mil gozos na vida.”
Ela aquiesceu, concentrada.


Sabor de chocolate

João e Penny Lane estavam na cama.
“Gosto do seu sabor de chocolate, Penny Lane.”
“João. Vai te catar na ladeira.”
“Hmmm?”
“É como a gente fala em Minas… Vocês de São Paulo dizem ‘vai se danar’ …”
“Penny? Não tô brincando. Sou louco pelo seu sabor de chocolate. Quer ver?”
João se levantou e foi até a cozinha. Trouxe de lá um pedaço de Diamante Negro. Pediu que Penny Lane fechasse os olhos e relaxasse. Delicadamente, ele abriu as pernas delas. Com o polegar de cada mão, afastou os lábios de Penny Lane, em que cintilava um piercing chamado Princesa Diana. Seus olhos pareciam deslumbrados ao mirar o sexo de Penny Lane, como se estivesse contemplando A Mulher Nua, de Schiele. A mesma pose, o mesmo langor, o mesmo abandono, a mesma selva de pelos. Com habilidade, colocou o pedaço de Diamante Negro em Penny Lane. Ela gemeu docemente, como se estivesse tendo um sonho bom, os olhos cerrados.
Ele olhou uma última vez para o sexo  escancarado de Penny Lane antes de fechar os olhos e mergulhar a língua em seu sabor de chocolate.

Fabio Hernandez

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