DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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sábado, 17 de setembro de 2011


O Louco
Por Gibran Khalil Gibran
Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
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“Onde está a beleza? Onde estão o heroísmo, os grandes feitos? Onde se esconderam os heróis? Por que as pessoas se fecharam em sua concha e vigiam cada palavra, assustadas, cada gesto? Têm medo de tudo – se falam com sinceridade, têm receio de ter “falado demais”. Só nos bailes de máscaras é possível dizer a verdade. Ora, a vida não é um baile de máscaras! Ou, pelo menos, é um baile de máscaras sem a insolência declarada dos verdadeiros bailes de máscaras.” 
Marina Tsvetáieva

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