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sábado, 10 de setembro de 2011

Século XIX: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” Marx


Século XXI: A farsa se repete como História

Parte 1

De forma nenhuma intento fazer chiste com desgraças. A frase acima, inspirada no vaticínio de Marx, pode ser entendida não como um jogo bobo de palavras com intenções irreverentes, mas como um desafortunado evento, “um acontecimento singular” - nas palavras de Foucault – do nosso tempo.

A repetição do que se chama aqui de História é a repetição da astúcia propagandística. Sabemos hoje que no ano de 1933 o então chanceler Adolph Hitler mandou incendiar o Reichstag Alemão, atribuindo a responsabilidade aos ditos "terroristas" comunistas. Hermann Goering, o responsável pela propaganda nazista, advertira o Führer dos poderes soberanos do factóide de Estado: "Tudo o que se tem de fazer é dizer às pessoas que elas estão sendo atacadas, denunciar os pacifistas por falta de patriotismo, e expor o país ao perigo. Funciona em qualquer país". O uso rapace desta inferência criou um slogan que perdura até hoje – por repetição - e que permitiu a Hitler assumir através do uso do terror poderes ilimitados em nome da família, da tradição e da Pátria. Ou seja, fez-se ali uso de terror de Estado para construir uma ideia de terror vinculada aos comunistas alemães, os então contestadores do poder totalitário. O vértice mais agudo dessa ideologia era inculcar o medo pela sensação de insegurança obtendo assim apoio massivo da população. Cria-se o inimigo e lhe imputa a responsabilidade da desgraça, mobilizando a opinião pública através dos meios de comunicação disponíveis.

Sete de Dezembro de 1941. Um ataque aeronaval dos japoneses mata 2471 estadunidenses em Pearl Harbor. Uma desgraça anunciada. Anunciada? Sim! O serviço secreto estadunidense já dispunha de antemão de informações baseadas em interceptações de rádio apontando para um ataque. Radares da Austrália e da Nova Zelândia, entre outros no Pacífico, acusaram a movimentação japonesa. Não havia uma base de inteligência ianque em Pearl Harbor, mas a partir de outros pontos já havia sido feita a descodificação dos sinais de rádio entre os japoneses evidenciando o avanço. Semanas antes do ataque já era possível ao serviço de inteligência e espionagem dos EUA armar as forças e preparar a defesa. Neste momento a opinião pública era massiçamente contra a entrada na segunda-guerra mundial. Não enxergava razões para a incursão na guerra. Mas então alguns fatores decisivos conspiravam para que os EUA convencessem seus cidadãos da “necessidade” da luta. O trauma econômico de 1929, a caça aos judeus, a necessidade comercial dos fabricantes de armamentos, a busca da hegemonia global baseada no mito do destino manifesto. De tudo isso dependia uma virada colossal da opinião. Então o ataque ao porto estadunidense no Pacífico significou o trunfo para manobrar corações e mentes no sentido dos interesses corporativos e políticos de então. Uma tática ideológica repetida. Uma farsa eficaz. Fabricou-se a razão para a guerra, inicialmente no flanco do Pacífico. A América se servia do já testado e bem sucedido expediente de cortar os dedos para salvar a perna, entregando quase 2500 cidadãos à sanha dos Kamikazes. Aviões jogados nos alvos como mísseis. Soa familiar? Soa terrorismo? Lembremos, também, que houve justificativa para lançar duas bombas atômicas contra alvos civis no Japão. Mais de duzentas mil pessoas inocentes morreram e mais centenas de milhares padeceram de seqüelas por décadas. Se isso não é terrorismo, então o que é?

Quatro de agosto de 1964. Golfo de Tonkin. Período de caça aos comunistas e da guerra-fria. Dois dias após alegarem ataques de torpedeiros norte-vietnamitas (dentro de águas territoriais desta nação) o destróier USS Maddox, em missão até então secreta de espionagem e vigilância, supostamente é atacado. Nunca houve qualquer confirmação deste ataque. Não há evidências sobre a hostilidade em águas norte-vietnamitas, entretanto a mera possibilidade de ataque foi suficiente para caracterizar a necessária agressão de que os senhores da guerra tanto necessitavam para dar cabo ao plano de invasão com o beneplácito da sociedade. O então Presidente Lyndon Johnson fabricou o factóide e o vendeu ao Congresso e à opinião pública dando base à Resolução aprovada às pressas no Parlamento. O Governo e a diplomacia de Hanói insistiam na veracidade apenas do primeiro ataque, justificando a resposta à invasão ianque nas águas territoriais de Tonkin, mas de nada adiantaram os expedientes. O pretexto para a guerra já estava consolidado. O destróier serviu de isca. Outra farsa eficaz. Mais uma vez a tática funcionava. O factóide do segundo ataque foi amplamente ventilado pelos meios de comunicação, principalmente a declaração do presidente pela imprensa enfatizando a luta “pela liberdade”, dando “base legal” para a longa e tenebrosa intervenção. Para ler mais clique aqui.

Texto do meu querido amigo, Ricardo Machado.



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