DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Onde você sempre está...

























Eu não sei como isso é possível mas alguma parte de mim está estacionada nos meus dozes anos de idade. Uma noite dessas tive um sonho intrigante onde eu aparecia tagarelando com duas pessoas sobre o tempo. Só que eu estava em outro tempo. Falavam sobre o tempo não ser do jeito que a gente está habituado a pensar. Na maior parte das vezes, achamos que o tempo é exatamente aquilo que o relógio marca. Vinte e quatro horas, uma depois da outra, uma à uma. E assim, seguimos os dias olhando as coisas pequenas perdidas no meio dessas horas pequenas e tudo parece até bem confortável. Quase sempre, exceto quando a mente resolve desobedecer o delicado comando de: _ Fica quieta!!, e sorrateira, sai querendo aprontar pra cabeça, literalmente. No sonho foi assim. Sonhei que essas pessoas me diziam, ou tentavam me explicar que existem fendas no tempo, entre um segundo e outro existem os milésimos de segundo e que entre esses milésimos, existem fendas milésimas até não poder ser mensurado tudo isso, e que, através dessas fendas pode-se estar, quase que ao mesmo tempo, em dois tempos diferentes, que necessariamente não precisam ser vizinhos. E isso, multiplicado por todos os tempos que coexistem. Uma coisa que poderia classificar como infinita. No sonho eu franzia a testa, não conseguia entender e aquelas pessoas se irritavam comigo, e no sonho, eu era uma menina de doze anos... Uma garota. Eu gostava de mim aos doze anos. Era bem viajona, e de fato, eu conseguia viver no meu meu mundo cotidiano aparentando normalidade, mas lembro que sumia da realidade por horas e horas, parada fazendo nada, ou sentada no jardim, ou pensando coisas que nem lembro mas que eram muito fora de padrão. Para onde ia a minha consciência naquelas horas quietas? Quase ausentes... Engraçado é que tento puxar na memória mas, não lembro. Lembro de coisas que fiz aos quatro anos, mas... nos meus doze eu só lembro de estar ali sem ali estar. Aí hoje comecei a ler um livro sobre uma menina de doze anos que fala sobre o tempo, e as fendas do tempo. O livro fala algo como se o tempo passasse ao mesmo tempo por todos os momentos, e esses momentos coexistissem e ficassem suspensos no espaço aguardando nosso retorno. Ou uma visita. O livro diz que o que importa é em qual momento você está. Como se a gente pudesse de fato escolher qual das milhares de facetas já vividas se quer estar. Desafiador esse enigma sem chave. Porque sabe?!... a chave é o poder. Com a chave você não precisa bater com a cabeça na parede para as minhocas se calarem, você as quer. Porque pensar nisso faz com que cada célula do meu corpo se esperte e parece que estão todas pedindo _ vamos lá! vamos lá! Mas lá aonde? Eu queria estar no mundo daqui uns cem ou duzentos anos, quando a mente humana conseguir ir além das comprensões atuais, porque como diz o livro, o senso comum de limite atrapalha o contato com a verdade que o véu embasado pelos milionésimos de segundos nos impedem de ver.

Agora, eu me pergunto porque eu quero tanto crer que isso existe?... Que vidas coexistem. Que uma mesma de mim pode estar aqui, e se atirar numa outra consciência sem que nem essa mesma eu perceba. Pra que eu quero isso? Tudo bem que o assunto é muito legal, muito intrigante, muito viagem e eu adoro!, mas no fundo, eu quero essa possibilidade só por causa de você. Só pra poder te alcançar, te abraçar imensamente e olhar mais uma vez tua expressão olhando a minha, e te tocar, e ter realidade corpórea nesse amor de tanto tempo. Coisas que se guardam, coisas que escondemos, coisas que viram segredos... que me importa escancarar meus delírios se você está onde tudo oque eu sou e em tudo oque eu vivo, como se fôssemos um menino e uma menina de doze anos que descobriram um jeito de brincar de esconde-esconde entre as fendas do tempo, mas que entre uma e outra brincadeira, sempre se acham pra trocar um beijinho. Um beijo muito casto, afinal, só temos doze anos. Sei lá, acho que pirei. De vez!

Be Lins

"A experiência mais bela que podemos
ter é o m i s t e r i o s o . "

Albert Einstein

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