DOE PALAVRAS

Um movimento para levar mensagens de força aos pacientes com câncer do Instituto Mário Penna.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Paradoxo

























E enquanto eu fico aqui esperando que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço, como na poesia. Até lá, diz aqui baixinho no pé do meu ouvido com a tua voz apaziguadora, me explica – como é que se faz? Se o meu silêncio a teu lado nas noites quentes, no nosso ninho, é sempre tão povoado de furacão – se eu não sei calar o meu lado de dentro. Se o meu querer é indisciplinado e não aceita cabresto, se eu quero sempre sair rodopiando, girando, revirando, se eu não sei ter sossego. Se é com vento nos pés que eu me sinto em casa. Sim, eu sei que te assusta e quase apavora. Mas ainda assim eu te peço toda humilde, precisando muito ser atendida: vem comigo, venta comigo. Fica aqui bem junto e me acolhe. Deixa eu chorar nos teus braços até o dia amanhecer, deixa eu soltar as mãos e sair para o mundo e então voltar afogueada e querendo descanso, deixa eu morrer todos os dias de tanta inteireza para então começar tudo de novo, desejar mais uma vez. O que eu quero é isso, é viver dolorosamente mas com boniteza e com tanta liberdade – e junto, junto, porque junto é o que faz ser mais inteiro do que já foi um dia, junto é o que faz encontrar a calma e a paz no olho do furacão – junto.


Renata Penna


Daqui: http://bichosoltoblog.wordpress.com/


* imagem Patricia Metola

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